Indicadores revenda de gás: o que acompanhar todo mês
25 de agosto de 2026 · 6 min de leitura

Fechar o mês, ver que o caixa não sobrou nada e não saber exatamente o motivo é uma dor comum entre donos de revenda de gás. Você vendeu botijões o dia inteiro, a moto não parou, o WhatsApp não teve descanso — mas na hora de somar, o resultado não aparece. Isso geralmente não é falta de venda, é falta de indicadores revenda de gás que mostrem onde o dinheiro está escapando.
Acompanhar números não é burocracia de empresa grande. É a diferença entre tomar decisão no feeling ("acho que tá bom") e decidir com base no que realmente aconteceu no mês. A seguir estão os indicadores que fazem sentido para o dia a dia de uma revenda de gás e água mineral, sem planilha complicada nem termo de contabilidade avançada.
Ticket médio por entrega
O ticket médio mostra quanto, em média, cada entrega rende. Ele é calculado dividindo o faturamento do mês pelo número de entregas feitas.
Por exemplo, se sua revenda faturou R$ 45.000 em um mês e fez 1.500 entregas (contando botijões e galões de água), o ticket médio foi de R$ 30. Se no mês seguinte o faturamento subiu, mas o número de entregas subiu na mesma proporção, o ticket médio ficou igual — ou seja, você não vendeu "melhor", só vendeu "mais do mesmo".
Esse indicador ajuda a enxergar se vale a pena, por exemplo, oferecer um galão de água junto com o botijão P13 para aumentar o valor de cada entrega, em vez de só correr atrás de mais clientes novos.
Por que isso importa mais do que parece
Muita revenda foca só em "vender mais botijão" e esquece que aumentar o ticket médio, mesmo que pouco, tem efeito direto no lucro sem precisar aumentar a frota nem contratar mais entregador.
Custo por entrega
Aqui entra combustível, manutenção de moto ou caminhão, e o tempo do entregador. Se você não sabe quanto custa, em média, colocar um botijão na porta do cliente, não tem como saber se está cobrando o suficiente.
Um jeito simples de estimar: some os gastos do mês com combustível, manutenção de veículo e comissão de entregador, depois divida pelo total de entregas. Se esse custo por entrega estiver subindo mês a mês — por exemplo, porque o preço da gasolina subiu ou as rotas ficaram mais longas — mas o preço de venda do botijão continuou o mesmo, sua margem está encolhendo sem você perceber.
Percentual de vendas fiado e prazo médio de recebimento
Fiado é parte da realidade de quase toda revenda de bairro, mas ele precisa ser medido, não só "sentido". Dois números ajudam:
- Percentual de vendas fiado: quanto do faturamento do mês ficou pendente de pagamento.
- Prazo médio de recebimento: quantos dias, em média, o cliente demora para quitar o que deve.
Se metade das suas vendas do mês vira fiado e o prazo médio de recebimento é de mais de 20 dias, isso significa que boa parte do seu capital está "emprestado" para os clientes, sem render nada. Isso afeta diretamente sua capacidade de comprar mais botijões cheios no distribuidor no início do mês seguinte.
Acompanhar esse número mês a mês mostra se o fiado está sob controle ou virando um problema de caixa disfarçado de fidelização de cliente.
Giro de estoque de botijões cheios e vazios
Este é um dos indicadores mais esquecidos, mas um dos mais importantes: quanto tempo um botijão cheio fica parado no depósito até ser vendido, e quantos vazios estão parados esperando comodato ser resolvido.
Por exemplo, se você compra 200 botijões cheios por semana do distribuidor mas no fim do mês ainda tem 80 parados no pátio, isso é dinheiro imobilizado — o gás está pago, mas não virou receita. Do outro lado, se os vascos vazios estão acumulando sem retornar para o distribuidor, isso trava seu limite de compra e pode gerar cobrança de comodato.
Um sistema de gestão como o Revenda Inteligente faz esse controle automaticamente, mostrando quantos cheios e vazios você tem em tempo real, sem precisar contar botijão fisicamente toda semana.
Sinal de alerta simples
Se o estoque de cheios está sempre alto no fim do mês, pode ser sinal de compra em excesso ou de queda de demanda que você ainda não percebeu. Se o estoque de vazios está sempre alto, o problema pode estar na logística de recolhimento ou no controle de comodato com os clientes.
Margem de contribuição por produto
Nem todo produto dá o mesmo lucro. Um botijão P13, um botijão P45 (usado em restaurantes e comércios) e um galão de água mineral têm margens diferentes, porque o custo de aquisição, o volume de venda e até o desgaste do equipamento de entrega variam.
Calcular a margem de contribuição de cada linha — preço de venda menos custo direto do produto — ajuda a responder perguntas como: vale a pena investir mais esforço de venda em água mineral ou em botijão comercial? Muitas revendas descobrem, ao olhar esse número separado, que um produto que parecia "secundário" na verdade sustenta boa parte da margem do negócio.
Taxa de clientes recorrentes
Quantos dos seus clientes do mês já eram clientes em meses anteriores, e quantos são novos? Uma revenda saudável normalmente tem uma base forte de clientes recorrentes — famílias e comércios que compram com você todo mês.
Se esse percentual está caindo, é sinal de que clientes estão migrando para o concorrente, mesmo que o volume total de vendas pareça estável (porque novos clientes estão substituindo os antigos). Esse tipo de troca constante custa caro: conseguir um cliente novo geralmente exige mais esforço de divulgação do que manter um que já confia na sua entrega.
Como acompanhar isso sem virar um segundo trabalho
A lista acima pode parecer grande, mas a ideia não é calcular tudo manualmente toda noite. O ponto de partida é escolher três ou quatro indicadores que mais impactam o seu caixa hoje — geralmente ticket médio, percentual de fiado e giro de estoque — e revisá-los uma vez por mês, com calma, olhando o comparativo com o mês anterior.
Se sua operação ainda depende de caderno ou planilha solta, vale lembrar que parte do trabalho de apurar esses números fica mais simples quando as vendas, entregas e recebimentos já ficam registrados automaticamente no dia a dia, em vez de precisar reconstruir tudo no fim do mês.
Questões fiscais, como emissão de nota e tributação sobre a revenda de GLP, têm particularidades que variam conforme o estado e o regime tributário da empresa — para esses pontos, o ideal é sempre confirmar com o contador ou consultar os canais oficiais da SEFAZ e da ANP, em vez de se basear só em indicadores internos de gestão.
No fim das contas, indicadores não substituem o conhecimento que você já tem do seu bairro e dos seus clientes — eles complementam esse conhecimento com números que confirmam (ou contradizem) o que o feeling está dizendo. E é aí que mora a diferença entre uma revenda que sobrevive e uma que cresce com previsibilidade.
Perguntas frequentes
- Quais são os principais indicadores de uma revenda de gás?
- Os mais importantes para o dia a dia são ticket médio por entrega, custo por entrega, percentual de vendas fiado, giro de estoque de botijões cheios e vazios, margem por produto e taxa de clientes recorrentes.
- Como calcular o ticket médio de uma revenda de gás?
- Divida o faturamento total do mês pelo número de entregas realizadas no mesmo período. O resultado mostra quanto, em média, cada entrega rendeu.
- Por que o controle de estoque de botijões vazios é importante?
- Botijões vazios parados atrapalham a devolução ao distribuidor e podem travar o limite de compra de cheios, além de gerar problemas relacionados ao comodato.
- Com que frequência devo revisar os indicadores da revenda?
- O ideal é revisar mensalmente, comparando com o mês anterior, para identificar tendências antes que virem um problema maior de caixa.
- Preciso de um sistema para acompanhar esses indicadores?
- Não é obrigatório, mas um sistema de gestão facilita muito, pois calcula automaticamente vendas, estoque e fiado sem depender de planilhas manuais.