Lucro por Botijão de Gás: Como Calcular o Valor Real
1 de setembro de 2026 · 7 min de leitura

Vender 30, 50 ou 100 botijões por dia não significa necessariamente que a revenda está lucrando o que deveria. Muito dono de revenda olha o caixa no fim do mês, vê dinheiro entrando, mas não sabe dizer com precisão quanto sobra em cada botijão vendido. O lucro por botijão de gás não é o preço de venda menos o preço de compra — é uma conta mais completa, que precisa considerar frete, comodato, perdas, fiado e as despesas do dia a dia da revenda. Quem não faz essa conta certinho corre o risco de vender bastante e, ainda assim, fechar o mês no vermelho.
Por que o preço de venda não mostra o lucro real
É comum o revendedor pensar assim: "comprei o P13 por R$ 70 e vendo por R$ 90, então ganho R$ 20 por botijão". Essa conta parece simples, mas ela ignora uma série de custos que acontecem entre a compra do gás na distribuidora e o dinheiro cair no bolso do revendedor.
Entre esses dois pontos existem gastos com transporte até o depósito, combustível da entrega até a casa do cliente, desgaste do veículo, tempo do entregador, vasilhames que quebram ou somem, clientes que compram fiado e demoram para pagar (ou nunca pagam) e as despesas fixas do negócio, como aluguel do depósito, energia, telefone e o salário de quem atende no balcão ou no WhatsApp. Se nada disso entrar na conta, o número de lucro que aparece na cabeça do revendedor é só uma ilusão.
Os custos que muita revenda esquece de colocar na conta
Custo de compra e frete do fornecedor
O primeiro passo é somar não só o valor pago pelo botijão cheio na distribuidora, mas também o frete até o depósito da revenda, quando ele existe separado do preço do produto. Algumas distribuidoras já incluem o frete no preço, outras cobram por fora dependendo do volume comprado. Vale revisar a nota fiscal de compra com atenção, porque esse detalhe muda o custo real de cada unidade.
Comodato e reposição de vasilhame
O vasilhame é do fornecedor, mas ele custa dinheiro para a revenda quando some, quebra ou fica retido em obra por muito tempo. Se, por exemplo, a revenda perde a média de dois botijões por mês entre quebra e desaparecimento, esse custo precisa ser dividido pelo total de vendas do mês e entrar no cálculo do lucro por unidade. Ignorar isso é um dos erros mais comuns.
Perdas, quebras e trocas
Botijão que cai da moto, vazamento identificado antes da entrega, troca por defeito do produto: tudo isso é prejuízo que precisa ser contabilizado. Não é preciso ter controle perfeito, mas é importante ter uma estimativa realista baseada no histórico da própria revenda.
Fiado e inadimplência
Se a revenda trabalha com fiado — o que é comum em bairros com clientela fixa — parte das vendas do mês ainda não virou dinheiro de fato. Pior: uma parte pode nunca virar. Por exemplo, se a revenda vendeu 500 botijões no mês mas 40 ainda estão pendurados no fiado, e a experiência mostra que cerca de 5 desses nunca serão pagos, esse prejuízo precisa ser considerado na margem real, não só na margem "no papel".
Custo de entrega (motoboy, combustível, manutenção)
A entrega tem custo por rota, não por botijão isolado, mas pode ser diluída. Se uma entrega gasta R$ 8 de combustível e manutenção para levar 4 botijões numa mesma viagem, o custo de entrega por unidade fica em torno de R$ 2. Quando a entrega é feita unidade por unidade, longe, esse valor sobe bastante e precisa ser levado em conta.
Despesas fixas rateadas por botijão
Aluguel, luz, telefone, salário do atendente, manutenção do veículo, taxas do cartão: são custos que existem independentemente de quantos botijões são vendidos, mas precisam ser divididos pelo volume de vendas do mês para aparecer na conta unitária. Por exemplo, se as despesas fixas somam R$ 6.000 no mês e a revenda vende 1.000 botijões, cada unidade carrega R$ 6 de custo fixo, ainda que isso não apareça na nota de compra do gás.
Como montar a conta do lucro por botijão passo a passo
Uma forma prática de organizar esse cálculo é separar por camadas:
- Preço de venda ao cliente.
- Menos custo de compra do gás (já incluindo frete, se houver).
- Menos custo médio de perdas e quebras de vasilhame, dividido pelo volume vendido.
- Menos custo médio de entrega por unidade.
- Menos parte proporcional das despesas fixas do mês.
- Menos uma estimativa de inadimplência do fiado, se for relevante para o negócio.
O resultado dessa conta é o lucro real por botijão — bem diferente, na maioria das vezes, do número que aparece só olhando preço de venda menos preço de compra.
Exemplo prático com números
Imagine uma revenda que vende o P13 por R$ 95 e compra por R$ 72 na distribuidora, sem frete separado. Numa primeira olhada, o lucro parece ser de R$ 23. Agora vamos supor que essa revenda vende 600 botijões por mês, tem despesas fixas de R$ 7.200 (R$ 12 por unidade), gasta em média R$ 3 por unidade em combustível e manutenção de entrega, perde o equivalente a R$ 2 por unidade em vasilhames quebrados ou extraviados, e estima que 3% das vendas em fiado não vão ser pagas, o que representa cerca de R$ 1,50 por unidade considerando o volume total.
Somando esses custos extras (12 + 3 + 2 + 1,50 = R$ 18,50), o lucro real cai de R$ 23 para aproximadamente R$ 4,50 por botijão. É uma diferença enorme, e é exatamente esse tipo de conta que separa uma revenda que parece lucrativa de uma que realmente é.
O que fazer com esse número depois de calculado
Depois de descobrir o lucro real por botijão, o próximo passo é decidir o que fazer com essa informação. Às vezes o ajuste é no preço de venda, quando o mercado local permite. Outras vezes o ajuste é operacional: reduzir perdas de vasilhame, organizar melhor as rotas de entrega para gastar menos combustível, apertar os critérios de fiado ou negociar melhores condições de compra com a distribuidora quando o volume justificar.
Esse tipo de cálculo fica mais fácil quando os dados de compra, venda, entrega e fiado estão organizados num só lugar. Um sistema de gestão como o Revenda Inteligente faz esse cruzamento automaticamente, mostrando a margem real por produto sem precisar montar planilha nenhuma.
Erros comuns no cálculo do lucro por botijão
Alguns erros aparecem com frequência quando o revendedor tenta fazer essa conta de cabeça ou numa planilha simples:
- Considerar só o preço de compra e venda, esquecendo frete, entrega e perdas.
- Não separar o custo do gás água mineral do custo do GLP, misturando margens de produtos diferentes.
- Tratar o fiado como venda concluída, sem considerar o risco de inadimplência.
- Não atualizar o cálculo quando o preço de compra sobe, mantendo o preço de venda antigo por comodismo.
- Ignorar despesas fixas por acreditar que elas "já estão incluídas" em algum lugar.
Questões fiscais, como tributação sobre a venda de GLP e obrigações junto à ANP e à SEFAZ, também influenciam o resultado final da revenda, mas cada caso tem particularidades regionais e tributárias. Vale sempre confirmar esses detalhes com o contador do negócio ou diretamente nos canais oficiais, em vez de aplicar uma regra genérica.
Calcular o lucro real por botijão não é um exercício acadêmico — é a diferença entre tomar decisões no escuro e saber exatamente onde apertar para o negócio ficar mais saudável. Uma vez que essa conta é feita com cuidado, ela vira rotina, e o revendedor passa a enxergar com clareza se está realmente lucrando ou só girando dinheiro sem sobra no fim do mês.
Perguntas frequentes
- Como calcular o lucro por botijão de gás vendido?
- Pegue o preço de venda e subtraia o custo de compra, o custo de entrega, a parte proporcional das despesas fixas, as perdas de vasilhame e uma estimativa de inadimplência do fiado. O resultado é o lucro real por unidade.
- Qual é a margem de lucro considerada boa na venda de gás GLP?
- Não existe um número único válido para todas as revendas, porque despesas fixas, frete e perfil de clientela variam bastante. O importante é calcular a margem real do seu negócio e acompanhar se ela está subindo ou caindo mês a mês.
- O fiado afeta o cálculo do lucro por botijão?
- Sim. Vendas em fiado que não são pagas representam prejuízo direto, então é importante estimar uma taxa de inadimplência histórica e incluir esse custo na conta do lucro real.
- Vale a pena usar planilha ou sistema para calcular o lucro por botijão?
- Uma planilha bem feita já ajuda, mas um sistema de gestão evita erros manuais e atualiza a margem automaticamente conforme os custos de compra, entrega e perdas mudam.
- Como saber se o preço de venda do botijão está correto?
- Calcule primeiro o lucro real por unidade considerando todos os custos, depois compare com a margem mínima que o negócio precisa para se manter saudável e com os preços praticados pela concorrência da região.